Gerir o medo no FMEA

Um FMEA deve representar o tamanho do risco diante da experiência da equipe de uma determinada empresa. Constantemente observamos, nas empresas, que o coeficiente de medo supera estes importantes fatores. Muitas vezes de forma exagerada. É importante lembrar que o medo é sim um requisito não declarado, mas essencial para realizar um FMEA. Pois, quem não tem algum medo acaba por não se proteger. E acaba pecando pela confiança desnecessária.

medo

O medo descontrolado e mesmo desproporcional implica em dois extremos. O mais simples é “viajar na maionese” com a implantação de controles bobos e inadequados. Passamos a controlar coisas de que não precisamos – um preciosismo. Por outro lado, no outro extremo, corremos o risco de controlar com um rigor que eleva os custos da gestão de qualidade e gestão do produto no processo a patamares que inviabilizam a comercialização do produto. É preciso uma dose de coerência determinada pela experiência da equipe ao distinguir o que pode ou não acontecer.

É por isto que o requisito de equipe multidisciplinar é fundamental na elaboração do FMEA. E assim podemos definir se vale a pena ou não controlar – pois para alguns modos de falha poderíamos questionar quem ocorre primeiro: a falha ou ficar milionário jogando na Megasena. Se ganhar na Megasena é mais fácil, inclusive se comparado com dados históricos, é ainda mais fácil que se desconsidere tal modo de falha e seus controles – e isto pode ser feito indicando notas mais baixas em ocorrência e detecção na matriz de FMEA – sem é claro, impactar a severidade. Por vezes a severidade também é relativamente baixa. Por outro lado, o histórico de produtos e processos, até mesmo os similares, nos permitem a certeza ao avaliar a real possibilidade de ocorrência de falhas conhecidas e, implantar controles igualmente conhecidos ou mesmo aperfeiçoá-los.

Mas, existe uma categoria de falhas aos quais o sentimento é de que poderiam vir a ocorrer, mas não os enquadramos nas situações anteriores. Para estes podemos classificar como possíveis e, na etapa de pré-lançamento do produto / processo testamos as hipóteses – os controles que colocamos devem permitir avaliar estatisticamente a probabilidade de ocorrência e detecção. Após os testes e com dados para análise em mãos, podemos decidir se valem o risco ou se devem ser controlados. Possivelmente, alguns riscos descartados poderão vir a ter ocorrências no futuro. E isto não é possível prever. Se de fato vierem a ocorrer, baseie-se na filosofia de que o FMEA é um documento vivo, portanto sujeito a atualização com base nas constatações. Faça das lições aprendidas uma nova referência e, atualize a documentação pertinente.

A gestão do medo na realização do FMEA é significativa para garantir a qualidade e manter a produtividade, bem como os custos na organização. A primeira ação para avaliar esta situação é a qualidade das informações referente aos modos de falhas, as respectivas avaliações de severidade e, por sequência a indicação de probabilidade de ocorrência. Por último a sua detecção dentro das condições possíveis. Não se iluda, seja realista e avalie com fatos e dados, sempre. Considere que um risco mínimo, ainda que insignificante, é parte da gestão do negócio. Medo de mais ou medo de menos é o que se transforma em problemas.

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